DATA DE PUBLICAÇÃO: 12/05/2017
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Conversa com meu povo: Mostra-nos o Pai!

 
Começamos nossa conversa dando a palavra ao salmista (Sl 22/23): “O Senhor é o meu pastor, nada me falta. Ele me faz descansar em verdes prados, a águas tranquilas me conduz. Restaura minhas forças, guia-me pelo caminho certo, por amor do seu nome. Se eu tiver de andar por vale escuro, não temerei mal nenhum, pois comigo estás. O teu bastão e teu cajado me dão segurança. Diante de mim preparas uma mesa aos olhos de meus inimigos; unges com óleo minha cabeça, meu cálice transborda. Felicidade e graça vão me acompanhar todos os dias da minha vida e vou morar na casa do Senhor por muitíssimos anos”. 
 
 
   
 
 
Feitos discípulos de Jesus na graça de nosso Batismo e de seu seguimento, somos convidados a recolher, de dentro de nosso coração e do coração das outras pessoas, todas as perguntas e interrogações ou dúvidas, para responder com inteligência, sagacidade e testemunho de vida. Não precisamos temer as questões apresentadas pelo tempo em que vivemos e pelas pessoas que, movidas pela sede de Deus existente em seus corações, desejam aproximar-se, tantas vezes provocantes, da Igreja e dos cristãos.
 
Atrevo-me a pedir ajuda às mães, cuja festa se celebra neste final de semana, para descobrir como respondem às perguntas de seus filhos. A primeira imagem que me vem é a do exemplo do testemunho de vida. Acostumei-me desde pequeno a ver meus pais trabalhando, e foram professores e diretores de escolas. A mãe, posso dizer que tinha jornada mais do que dupla de trabalho. Atuava em duas escolas, tinha os olhos vigilantes sobre os filhos em casa e ainda arranjava tempo para cultivar a amizade com as pessoas. Na cozinha, inigualável, no trato com pessoas, passava da cara fechada da diretora de Escola do interior de Minas para a atenção aos alunos, ajudados tantas vezes também em suas necessidades materiais. Depois da morte de meus pais, descobrimos muitas pessoas que foram formadas através de bolsas de estudo conseguidas, sem que a mão esquerda soubesse o que fez a direita. Se ousei referir-me aos meus pais, fui conduzido pelo dever de justiça, por saber que boas obras glorificam o Pai que está nos Céus.
 
As mães têm uma vocação especial, por guardarem em seu ventre a vida nova que deverá vir à luz. Trata-se do afeto materno, a ser reconhecido, elogiado e recomendado, com o qual a ternura de Deus se comunica na família e na sociedade. E o afeto do Pai do Céu se revela em Jesus Cristo, que desceu às profundezas da miséria humana para resgatar a todos. Aqui vale reconhecer o fato de que, além das eventuais evidências de erros cometidos pelos maridos ou filhos e filhas, a Mãe de família é a última a acreditar nas notícias que lhe chegam, não sendo rara a afirmação de que culpa é da própria mãe! E quem perdoa primeiro, a não ser as mães?
 
A mãe mostra ainda uma força inigualável, desmentindo a afirmação de que o sexo feminino é frágil! São João Paulo II afirmou magistralmente que a mulher tem duas capacidades maiores do que o homem: firmeza no sofrimento e amor! No livro dos Macabeus (1 Mac 7, 20-23), há o testemunho corajoso da mãe que assiste ao martírio de seus sete filhos: “Sobremaneira admirável e digna de abençoada memória foi a mãe, a qual, vendo morrer seus sete filhos no espaço de um dia, soube portar-se animosamente por causa da esperança que tinha no Senhor. A cada um deles exortava na língua dos seus antepassados, cheia de coragem e animando com força viril a sua ternura feminina. E dizia-lhes: ‘Não sei como viestes a aparecer no meu ventre, nem fui eu quem vos deu o espírito e a vida. Também não fui eu quem deu forma aos membros de cada um de vós. ‘Por isso, o Criador do mundo, que formou o ser humano no seu nascimento e dá origem a todas as coisas, ele, na sua misericórdia, vos restituirá o espírito e a vida. E isto porque, agora, vos sacrificais a vós mesmos, por amor às suas leis’”
Apraz-me ainda colocar em relevo a escola de fé, religião, educação e vida que é o calor de nossos lares. Os valores comunicados em família marcam definitivamente a vida. Pedir licença, dizer “por favor” ou “muito obrigado”, pedir a bênção, aguardar que outros iniciem as refeições, respeitar os mais velhos, pedir desculpas quando erramos. E com toda a certeza as primeiras orações nos foram ensinadas no colo das mães!
 
Desejo ainda observar o quanto as mães rezam pelos filhos. Espalha-se no Brasil e também em nossa região o “Movimento das mães que oram pelos filhos”. Sim, a criatividade do Espírito de Deus, que conduz a Igreja, suscita forças inesperadas! Basta pensar no que significa o “Movimento do Terço dos Homens”. Há que reconhecer que Deus é muito mais inteligente do que nós, fazendo brotar iniciativas de tal simplicidade que nos deixam edificados. 
De fato, podemos dizer com a Igreja, neste final de semana, que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida, e que conduz a sua Igreja. Sem a verdade, não existem certezas. Sem vida, só resta a morte. E ele é o Caminho, porque “ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6), pois ele é a porta das ovelhas (Cf. Jo 10,9). Ele é a verdade, porque nele vemos a imagem do Pai. Jesus é a vida, porque, caminhando como ele caminhou, estaremos unidos ao Pai e teremos a vida em nós!
 
 



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