DATA DE PUBLICAÇÃO: 12/05/2017
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Servindo à verdade: Entrar na vida

 
 
 
Olá, meu irmão e minha irmã. Não faz muito tempo lembramos o falecimento de nosso Dom Vicente Zico. Há poucos dias tivemos a noticia da partida do Cônego Djalma Costa e de Sidney Pereira, leigo empenhado que fazia parte dos Amigos da Canção Nova de Belém. Três vidas, três vindas, três idas. 
 
Diante desses acontecimentos citados, eu e Vitória (nossa primogênita), refletimos sobre a brevidade da vida e como a morte é uma realidade profundamente dolorida. Com a morte nossos queridos não serão mais vistos, tocados. Reina a presença da ausência. Há quem, diante de tamanha dor, beire o desespero. O desespero leva a buscar coisas como a comunicação com os mortos, mas sobre isso falo em outro artigo. Por agora basta dizer que essa concepção não é cristã. Ou seja, não faz parte de nossa fé acreditar na evocação dos mortos. Em que cremos então? Cremos na Ressurreição e na Vida eterna. Professamos essas verdades todos os domingos na Santa Missa. A morte existe para a vida. 
 
Diz o CIC (1020): “O cristão que une sua própria morte à de Jesus, vê a morte como um caminhar ao seu encontro e uma entrada na Vida Eterna”. Não podemos negar, porém, que temos certo temor diante dessa experiência única que a morte. Mas esse temor cresce se a pessoa não tem a expectativa da vida eterna. Cônego Jaime Pereira diz: “É muito frequente também se pensar a morte como o fim de tudo. Até poderia ser o fim, mas apenas do ciclo biológico que chega à sua curva final. Depois de nascer, crescer e envelhecer, resta a morte. Existe essa curva descendente da velhice, mas existe também outra curva ascendente, com o acúmulo de experiências, com a abertura de nossa mente para Deus e para o próximo, com os trabalhos que realizamos e até com os fracassos, quando deles tiramos algumas lições para a vida. Tudo isso vem favorecer o nosso crescimento até sermos considerados aptos para o ‘nascimento’, que é o nosso encontro definitivo com Deus” (Misticismo, Ciência e Fé. p.p. 71, 72). 

Mas o que é a morte? A Igreja, depositária da plenitude da Revelação, nos garante que a morte é a separação do corpo e da alma (Cf. CIC, 1005). Nossa existência tem seu ápice com a morte. Platão já dizia que filosofar é aprender a morrer. Na concepção platônica, o filósofo é aquele que vive desejoso de contemplar a Verdade. No entanto percebe que ela não reside neste mundo dominado pelas aparências. É necessário ir além da aparência. A morte nos possibilita esse desvelamento do aparente. Obviamente, Platão não chegou ao conhecimento pleno que a Revelação nos concede, porém, pelo exercício racional, afirmou verdades importantes. A Igreja nos ensina: “É diante da morte que o enigma da condição humana atinge seu ponto mais alto. Em certo sentido, a morte corporal é natural; mas para a fé ela é na realidade ‘salario do pecado’ (Rm 6, 23). E para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor a fim de participar da sua Ressurreição” (CIC, 1006). 
 
A nossa vida é um dom. Deus nos concedeu esse dom para que caminhemos em Sua direção. Acho que essa imagem de peregrinos deve nos ajudar a entender nossa existência. Sim, nossa existência é marcada pela brevidade. Ai de nós se nos apegarmos demais a esta breve vida. Quanto maior o apego, mais difícil será nossa partida. Não podemos depositar nossa existência em coisas perecíveis: riquezas, prazeres, luxos. Somos caminhantes, peregrinos rumo ao nosso destino final que é Deus. Isso não deve nos dar medo. Deve nos encher de esperança. Ele nos ama e não quer perder nenhum de nós. 
 
Meu irmão é minha irmã, não fomos feitos para vivermos somente aqui. Deus nos fez para a felicidade plena, para a felicidade eterna. Esse deve ser o principio que orienta nossas ações e decisões. Deus nos fez para Ele (cf CIC, 27), por isso nos chama, por isso não desiste de nós. Ele “aposta” mais em nós do que nós mesmos. Essa vida plena em Deus é nossa plena dignidade, explica o Concílio Vaticanos II: “A expressão máxima da dignidade humana é a vocação à comunhão com Deus” (GS, 19). Nesse sentido, podemos dizer como Santa Terezinha: “Não morro, entro na vida”. Sigamos em frente buscando pensar com a Igreja no serviço da Verdade. Fique com Nossa Senhora e São José.
 



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