DATA DE PUBLICAÇÃO: 02/06/2017
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Homilia Dominical: São João 20,19-23

 
19 Ao anoitecer daquele dia o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse:“A paz esteja convosco”. 20 Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21 Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22 E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. 
 
 
Comentário
 
 
Tudo se dá “Ao anoitecer”. Esta expressão significa o início do dia no pensamento bíblico, surge um novo dia. Ela também está ligada ao momento pascal original, que Deus aponta para o sacrifício do cordeiro (Ex 12,6). Deus indica quando seja: no exato ângulo entre o dia e a noite, para a celebração da Páscoa, Festa da liberdade; da vida. Há bíblias que traduzem como: “ao por do sol”, “ao crepúsculo”; e uma espanhola diz “entre duas luzes”. Esta última aponta à “terra santa”, no monte Garizim, lá na Terra Santa (no mês de “Nissan”/março-abril/), às vésperas da lua cheia,  é que se vê o sol e a lua ao mesmo tempo, exatamente “ao anoitecer”. As “duas luzes” são o sol e a lua: “Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite” (Gn 1,16). Eles são como os dois olhos da criação contemplando o gesto cultual maior, do homem ao seu Criador. Foi neste “anoitecer”, no exato momento pascal, que o ressuscitado apareceu por vez primeira aos discípulos (v 19); ocasião especial da presença, da ação de Deus. 
 
“Estando fechadas as portas... Jesus entrou e, pondo-se no meio deles...”.  É importante observar o modo de Jesus entrar, pois indica seu estado diferente e sobrenatural. Ele já não está submisso às leis da natureza, ele a supera, pois as portas estavam fechadas e não foi impedimento para que ele entrasse no recinto e estivesse com os apóstolos. O mestre irrompe, extrapola os limites do tempo e do espaço. Ele vem para o meio, se coloca no centro de nossa vida, para trazer-nos a paz. A paz é o primeiro presente que o Ressuscitado nos traz; e nós o recebemos para partilhar com as pessoas.
 
Ele proclama com vigor: “A paz esteja convosco”. A paz é condição fundamental para que a nova vida se estabeleça em cada pessoa. Paz não apenas individual, mas relacional: consigo e com os outros. 
 
“Soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo” (v 22). Ora, o sopro de Deus sobre a matéria inanimada faz do homem um ser vivente (Gn 2,7). A ação direta de Deus no homem gera a vida. Este gesto simbólico do sopro exprime o dom do Espírito Santo, vitalidade.
 
“Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E como é que o Pai o enviou? O enviou precisamente com amor! “Deus amou tanto o mundo... que enviou o seu Filho para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3, 16s). A missão que recebemos e na medida em que a executamos é continuação daquele mesmo amor que Jesus recebeu do Pai, e nos repassou.
 
 



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