DATA DE PUBLICAÇÃO: 21/07/2017
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Conversa com meu povo: Reagir!

 
Muitos dos que se sentiam tocados pela pregação de Jesus esperavam a inauguração do Reino de Deus com toda a força, para eliminar os que lhe eram contrários. Foi até preciso que são Paulo alertasse muita gente que queria apenas esperar vinda do Céu a manifestação de Jesus: “Com efeito, quando estávamos entre vós, demos esta regra: Quem não quer trabalhar também não coma. Ora, temos ouvido falar que, entre vós, há alguns vivendo desordenadamente, sem fazer nada, mas intrometendo-se em tudo. A essas pessoas ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo que trabalhem tranquilamente e, assim, comam o seu próprio pão. E vós mesmos, irmãos, não vos canseis de fazer o bem” (2 Ts 3,10-13). 
 
 
   
 
 
Algumas parábolas contadas por Jesus, como a do joio e do trigo (Mt 13,24-30), o grão de mostarda (Mt 13,31-32) e o fermento (Mt 13,33) fazem acolher o ensinamento do Senhor, que não veio trazer o Reino com poder, esplendor e glória, como as forças correntes do mundo, mas inaugurar gradualmente os tempos novos, na vida cotidiana, de modo que muitas vezes até passa desapercebido. No entanto, sua obra de salvação tem força interna, um dinamismo que muda a história a partir de dentro, segundo o projeto de Deus estejam abertos os nossos olhos para ver! E “quem tem ouvidos, ouça” (Mt 13,43).
 
As forças do mal e do maligno atuam em nosso mundo. E as tentações que nos circundam podem conduzir-nos até ao desespero. Sem dúvida, “o campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo” (Mt 13,38-39). Como reagir diante da presença do mal? O que fazer diante do mar de lama que suja nossos pés, nosso corpo e nossa alma? 
 
O cristão há de reagir, assumindo seu papel na história das pessoas, da Igreja e do mundo. Começa por não admitir a passividade. Cada um de nós tem uma contribuição a oferecer para o mundo ser melhor, o que exige iniciativa e criatividade, com as quais os próprios dons são colocados à disposição do bem comum. Ninguém é obrigado a dar o que não tem, mas cada dom recebido se transforma numa responsabilidade. Pedro e João, nos primeiros tempos da Igreja, assim reagiram diante de um desafio: “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda! E tomando-o pela mão direita, Pedro o levantou” (At 3,6-7).
 
Podem ser desculpas as dimensões daquilo que podemos oferecer a Deus, ao bem das pessoas e à Igreja. No entanto, Deus edifica a sua obra através da disponibilidade de pessoas pequenas e simples, parecidas com o grão de mostarda da parábola contada por Jesus. Basta ver o quanto pessoas generosas agregam em torno de si as forças do bem. E nossas comunidades de Igreja estão repletas de homens e mulheres simples, tantas vezes pobres em recursos materiais, mas prontos a liderar, fazendo com que outros se aninhem em torno delas. Afinal, “o Reino dos Céus é como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior que as outras hortaliças e torna-se um arbusto, a tal ponto que os pássaros do céu vêm fazer ninhos em seus ramos” (Mt 13,31-33).
 
No meio da massa, tantas vezes considerada ignara e incapaz de mudar o mundo, os cristãos são desafiados a acreditar na força do fermento, sua vocação própria. No Céu teremos gratas surpresas, ao saber de tantas pessoas que trabalharam escondidas e em silêncio, fazendo o mundo ser melhor, mais justo e mais santo!
 
Mais exigente ainda é o confronto com as forças do mal. Muita gente perdeu a paciência na história do mundo e da Igreja. Não poucos cristãos consideraram demasiado lenta a luta da Igreja por um mundo melhor, mais justo e fraterno, bandeando-se para estradas ideológicas do radicalismo e da violência. E a situação social em que nos encontramos pode estar mostrando, na expressão da literatura brasileira, que a “casa grande e a senzala” chegam a uma perigosa exaustão. Descem dos morros da sociedade, ou sobem de nossas baixadas marcadas pela miséria, os tributários de séculos de iniquidade social. 
 
Como fazer? Os servos do dono da plantação podem reagir diante do dono da plantação: “’Queres que retiremos o joio?’ ‘Não!’, disse ele. ‘Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita. No momento da colheita, direi aos que cortam o trigo: retirai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! O trigo, porém, guardai-o no meu celeiro!’” (Mt 13,28-30) Acreditar na força do bem praticado, perseverar a qualquer custo na retidão das intenções e das ações. Ter a coragem de denunciar o mal existente, indicar saídas possíveis, valorizar a parceria com homens e mulheres de boa vontade. Cabe ainda a todos nós cristãos, para evangelizar com coragem, conhecer a nossa realidade, identificando as causas dos problemas existentes.
 
Da parte do cristão, é ainda necessário viver a radicalidade de suas escolhas, sem concessões ao espírito do mundo. A coragem de ser diferente, sem nivelamentos pelo rodapé da existência, mostra a originalidade de nossa fé. É bom lembrar os mandamentos. Não é possível fazer uma seleção de acordo com o gosto pessoal. Ou se aceita ser cristãos inteiramente ou a doença da mediocridade contagiará todas as escolhas feitas. Um excelente critério é ter o máximo de misericórdia com as pessoas que erram, sem julgar, indo-lhes ao encontro para ajudar com imensa bondade, e, ao mesmo tempo, cada um seja exigente consigo, sem fazer concessões quanto ao seguimento de Jesus Cristo. 
 
“A colheita é o fim dos tempos. Os que cortam o trigo são os anjos. Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal; depois, serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai” (Mt 13,39-43). 
 
 
 



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