DATA DE PUBLICAÇÃO: 18/08/2017
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Conversa com meu povo: Arca da Aliança

 
Tendo recebido o anúncio do Anjo Gabriel, a Virgem Maria se dirige com toda presteza à casa de Isabel e Zacarias, nas montanhas de Judá, onde permaneceu três meses para servir. Três meses, como Moisés, apenas nascido (Cf. Ex 2,2), permaneceu escondido da casa de sua mãe, antes de ser adotado pela filha do Faraó. Três meses permaneceu a Arca da Aliança na casa de Obed-Edom, antes de ser conduzida a Jerusalém (Cf. 2 Sm 6,11). A oração da Igreja chama Maria de Arca da Aliança, por ser portadora dos dons da salvação à casa de seus parentes. Nós olhamos para a Virgem Maria, que chegou na nossa frente às alturas do relacionamento com Deus no Céu, assunta, assumida naquele abraço infinito da eternidade. 
 
 
   
 
 
Celebramos a Assunção de Nossa Senhora, pois temos uma Mãe no Céu, valorizando todas as realidades humanas, sabendo que têm a vocação da mesma eternidade na qual a Mãe de Jesus, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há de consumar no século futuro. Assim também, na terra, ela brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor (Cf. 2 Pd 3,10; Cf. LG 68).
 
Podemos acompanhá-la em sua visita à casa de Isabel e Zacarias, para colher os ensinamentos e os frutos de sua experiência de fé, que pode ser também nossa (Cf. Lectio Divina sui Vangeli Festivi per l’anno liturgico A, a cura di Anthony Cilio, O.Carm, Elledici, 2010).
 
Maria se levantou e partiu apressadamente. De fato, quando Deus entra em nossa casa, tudo se desperta, tudo ressurge. Depois de dizer seu sim a Deus, ela partiu. De fato, a presença de Deus na vida nos faz atravessar os obstáculos. Maria está plena de zelo! É interessante notar que os israelitas, na primeira Páscoa, comeram às pressas, com sandálias nos pés e os rins cingidos, prontos para partir (Cf. Ex 12,11). A viagem de Maria é sua Páscoa, Ela passa pela história, na qual também nós nos encontramos, para chegar ao abraço de Deus, assumida e acolhida no Céu.
 
Seu caminho vai para o alto, nas montanhas, mas sai da Galileia para a Judeia (Cf. Lc 1,26). No caminho com o Senhor, quem desce para servir sobe mais alto, quem se abaixa é exaltado. De fato, Ele olhou para a humildade de sua serva! Ao chegar, entra na casa, para oferecer tudo de si, porque quem ama sempre tem o melhor para oferecer! Encontro, abraço, afeto! Só assim nos tornamos verdadeiramente humanos!
 
Resultado: a criança pulou de alegria no ventre de Isabel. Jesus um dia usou a mesma expressão, nas bem-aventuranças (Cf. Lc 6,23), chamando seus discípulos à alegria. É uma alegria profunda, que leva a saltar e dançar! Quando o Senhor entra em nossa vida, a felicidade transborda de todas as formas. Mas tudo isso acontece no ventre de Isabel, lugar sagrado, escondido, onde só Deus pode entrar (Cf. Sl 138,13-15). Acolher Maria, aquela que passa na frente, significa também para nós participar desta nova e grande alegria, a dança da vida, com o Senhor.
 
Maria até aquele momento só havia saudado Isabel, deixando espaço para o Filho que trazia no ventre se expressar. Só então entoa seu canto, modelo de todos os cânticos e de todo louvor, partindo da alma, apresentando-se diante do Senhor com tudo o que é. É lá dentro que cada pessoa é ela mesma, em seu encontro com Deus, naquela parte mais íntima do ser humano, que tem sede de Deus (Cf. Sl 62,2-9). E seu espírito se alegra apoiado em Deus! Entrega-se todo a Ele, como Jesus seu Filho entregou o espírito (Cf. Lc 23,46), ou Estevão que entrega seu único sopro de vida no coração de Deus (At 7,59).
 
O olhar amoroso de Deus se mostra naquilo que o todo-poderoso faz por Maria e pelo seu povo (Lc 1,48-55). Ele é Salvador, Misericordioso, olha o coração e não as aparências, não escolhe o que é grande, mas o pequenino, o desprezado, o faminto, dispersa os soberbos, derruba do trono os poderosos, despede os ricos de mãos vazias. Maria nos mostra o segredo da humildade, do abaixamento, que abre a estrada para sermos também acolhidos nos braços do Pai. A verdadeira humildade é nossa resposta ao Senhor, que nasce do mais profundo das coisas que nos revela.
 
Maria, a Virgem da escuta, permanece com Isabel por três meses, nova Arca da Aliança que traz no ventre o Pastor de Israel, a Nova Lei e o verdadeiro Maná descido do Céu. Pronta a estar com Deus até às últimas consequências, está pronta a permanecer em casa de Isabel para servir, apenas para servir. Três meses é todo um caminho de conhecimento e amor, de intimidade que transforma e cura. Maria é totalmente entregue e, depois de tudo, volta para casa, restituída à intimidade com Deus. Sabemos que da terra ela foi para junto de Deus, assunta, em corpo e alma, acolhida no abraço eterno do amor de Deus que, no princípio, a doou a nós para ser Mãe de seu Filho amado. Também nós somos chamados a viver para servir, a fim de que, acolhidos nos braços do Pai, vivamos a eternidade feliz.
 
Rezemos: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para mim coisas grandiosas. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os que têm planos orgulhosos no coração. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos, e mandou embora os ricos de mãos vazias. Acolheu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”.
 
 



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