DATA DE PUBLICAÇÃO: 13/10/2017
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PASTORAL CARCERÁRIA

 
É com o intuito de realizar esta obra de misericórdia – “visitar os presos” – que os senhores Bispos de nossa Arquidiocese passam, a cada ano, no mês que antecede o Círio, em todas as unidades prisionais e centros de acolhida de infratores do sistema penal do Pará.
 
Em 22 de setembro de 2017 aconteceu a “visita do  Bispo” à unidade de adolescentes infratores localizada em Benevides. A Paróquia Nossa Senhora do Carmo convidou os paroquianos para acompanhar o  Bispo.Um pequeno grupo de 10 pessoas se organizou; e esta visita foi a ocasião para um primeiro impulso à Pastoral Carcerária em nossa Paróquia. Podemos dizer que agora sim, “nasceu a Pastoral Carcerária em nossa Paróquia”. Para todos os que acompanharam a visita foi uma forte experiência de fé,uma grande ocasião para viver esta obra de misericórdia: “visitar os presos”. 
 
Antes de nos dirigirmos ao centro de acolhida o grupo se encontrou na sede da paróquia com o diácono Ademir (coordenador arquidiocesano da Pastoral Carcerária) para uma rápida preparação. Ele apresentou os primeiros passos indispensáveis para todos os que se dispõem em ser agentes da Pastoral Carcerária. “Lembrem-se – disse ele – que nós agentes da pastoral carcerária vamos, em primeiro lugar, para amar nosso próximo, vendo Jesus em cada um”. Esta recomendação foi importante para ratificar as intenções de todos os membros do grupo e animar a todos para dar continuidade a este serviço pastoral de visitas regulares – todas as semanas – às unidades prisionais.
 
Chegada a hora marcada nos encontramos com Dom Antônio de Assis Ribeiro, o novo Bispo Auxiliar de Belém, na porta de entrada da casa de acolhida. Depois de breve apresentação do grupo da paróquia, Dom  Antônio incentivou a todos a prosseguir neste serviço pastoral e, de forma bem espontânea mas muito significativa, abençoou o grupo paroquial dando-lhe assim o “envio missionário” a todos. Este primeiro momento foi também ocasião para conhecimento das pessoas que trabalham nesta unidade de acolhida de menores.
 
Círio em miniatura 
 
Iniciamos a visita. Nos dirigimos aos vários departamentos existentes. Chegávamos em cada um dos setores cantando louvores à Nossa Senhora numa procissão de devotos da Virgem de Nazaré que, mesmo não com milhares de peregrinos, lembrava, sim, a animação do Círio. Momentos fortes de oração, cantos, e muita emoção, com lágrimas de alegria por parte de algumas pessoas dentro e fora das grades.
 
Gesto que fala e comove
 
Ao chegarmos em cada um dos alojamentos, Dom Antônio dirigia a palavra aos presentes e convidava a todos para uma oração. Significativa a mensagem de Dom Antônio: “A imagem de Nossa Senhora nos lembra a figura de nossa mãe. Nenhuma outra criatura nesta terra manifesta mais afeto e ternura do que a mãe no exercício da maternidade.

E se tem uma pessoa que normalmente não esquecemos é a nossa mãe. Diz um filósofo: no dia em que perdermos a memória e a consideração pela nossa mãe, não há mais nenhuma pessoa ou instituição à qual iremos respeitar e obedecer. Que a figura da mãe permaneça em cada um de vocês, em cada um de nós. Enquanto estivermos em comunhão com a nossa mãe há esperança para nós.

Nossa Senhora nos lembra que precisamos obedecer o seu Filho Jesus: Ela nos pede para que obedeçamos o seu Filho. E o queJesus pede a nós: que nos amemos uns aos outros. Ele nos convida a sermos ramos unidos a ele, pois um ramo só consegue dar frutos se estiver ligado ao tronco. E para dar bons frutos precisamos estar unidos a Jesus. Nunca percam a esperança porque vocês podem ser melhores. Vocês são filhos amados de Deus. Esta experiência aqui é passageira. Ela vai passar! Vocês tem amor no coração! Gritem comigo: “Eu tenho mais futuro que passado!”.
(Todos repetiram várias vezes esta frase). Que cada um possa dizer isto no seu próprio coração. É preciso mudar o coração. A mágoa e o ódio nos levam para a morte e o inferno. O amor nos enche de esperança e nos transforma. O amor e a fé geram bom comportamento”. 

A esta altura Dom Antônio convidava todos a formar uma corrente, dando-se as mãos uns aos outros – incluindo os jovens nos quartos – e rezar juntos a oração do Pai-nosso.  Todas as vezes que este gesto se repetiu foi um “momento forte de união com Deus”, carregado de emoção por parte de todos os presentes.
 
 
Um atelier 
 
Depois de percorrer todos os blocos que compõem o centro de acolhida houve um momento conclusivo da visita no auditório. Tempo para fotos com a imagem de Nossa Senhora, manifestações de agradecimento por parte dos jovens e funcionários, compromisso do grupo da Pastoral Carcerária da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, de Benevides, em continuar regularmente, durante o ano, as visitas ao centro de acolhida, e a mensagem de Dom Antônio que, sinteticamente, aqui transcrevo:
 
“Gostaria de deixar minha mensagem a todos os que aqui trabalham. Gostaria que todos possam fixar esta imagem mental: um atelier de restauração de obras de arte.
 
Normalmente são muitas pessoas que trabalham num atelier: pintores, escultores, restauradores. Ao chegar uma obra de arte danificada normalmente ela não é valorizada pois está quebrada, ou suja, ou faltando alguma parte, ou toda empoeirada. Com o trabalho dos especialistas – usando vários tipos de instrumentos, como pincéis, espátulas, tintas coloridas, lixas finas, e tantas outras coisas – cada obra de arte vai recuperando sua beleza original e depois de completamente restaurada todos exclamam: “Oh! Que beleza!” 
 
Esta casa de acolhida destina-se a restaurar a mais bela das obras do Criador: “a pessoa humana”.  Assim como os escultores e pintores precisam realizar seu trabalho com muita paciência e calma, usando pincéis finos, lixas finas, igualmente os profissionais aqui precisam usar de paciência e persistência para, aos poucos, restaurar a dignidade humana a quem a sujou transmitindo os valores da vida humana a quem ainda não descobriu a sua dignidade de filho de Deus.
 
Nós – Igreja Católica – queremos nos colocar à disposição para contribuir nesta obra de restauração da dignidade da pessoa humana para que os homens que aqui passam possam sair como “homens de bem”, que acreditam em valores como respeito, fraternidade, igualdade, capazes de conviver respeitosamentecom os demais seres humanos”.
 



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