DATA DE PUBLICAÇÃO: 24/10/2017
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Homilia Dominical: São Mateus 22,15-21

 
15Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. 16Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizem a Jesus: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. 17Dize-nos, pois, o que pensas: é lícito ou não pagar imposto a César?” 18Jesus percebeu a maldade deles e disse: “Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? 19Mostrai-me a moeda do imposto!” Levaram-lhe então a moeda. 20E Jesus disse: “De quem é esta figura e a inscrição desta moeda?” 21Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse: “Dai, pois a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. 
 
Comentário
 
Jesus é mestre. Seus ensinamentos nos evangelhos se dão principalmente por meio de parábolas ou questionamentos dos interlocutores ou provocados por ele mesmo.O texto em destaque segue a segunda via: a dos debates.
Mateus, em seu capítulo 22 apresenta quatro debates: 1º) trata do debate com os herodianos sobre a legitimidade dos impostos (vv 15-22);  2º) com os saduceus a respeito da ressurreição (23-33); 3º) é com os fariseus sobre o mandamento maior (34-40); e o 4º) é o suscitado pelo próprio Jesus sobre o Messias, Filho e Senhor de Davi (41-47).
 
O texto de hoje enfoca o primeiro dos debates do esquema: “a legitimidade dos impostos”, com a questão proposta: É lícito ou não pagar imposto a César? A resposta do mestre a esta questão é: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Ela tem levado alguns políticos incomodados pela vigilância eclesial a usá-la para dizer que a Igreja não deveria falar da ação política, mas somente da espiritual. No entanto o texto não assevera isto. 
 
A envergadura da resposta de Jesus: “Dai a César o que é de César...” vai mais além das pretensões dos adversários, que queriam captá-lo no ardil da armadilha: que ele se opusesse aos romanos, amigos dos partidários de Herodes, e fosse condenado. Com sua postura, o mestre anuncia a eles e a toda a humanidade um princípio de enorme importância, que é o parâmetro entre poder político e poder religioso, entre Estado e Religião; ou seja, que o contribuinte em sua ação positiva não se compromete com a autoridade de Deus, pois a ordem desejada por Cristo não vem necessariamente limitada àquela política.
 
Jesus é livre: não possui, nem leva nenhuma moeda. Vós questionais, mas levais convosco o dinheiro romano. Se receberdes o dinheiro do Estado, deveis ser honestos com ele! Roubam-se não só as pessoas, mas o Estado.
 
O mestre segue a arguição na linha sapiencial e antes de responder, apresenta outra pergunta: “De quem é esta figura e a inscrição desta moeda?” (v 29). Figura equivale à imagem, ou seja, “De quem é esta imagem na moeda?”. O ser humano é feito à imagem de Deus (Gn 1,26). De quem é esta imagem? Dai o que é dele! O que importa é o homem como um todo, em sua dignidade, necessidade e responsabilidade, como imagem de Deus. Assim é melhor entender, que se dê a César... e a Deus, o que é de Deus.
 
 
 
 



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