DATA DE PUBLICAÇÃO: 27/10/2017
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Quilombolas: tradição, fé, luta e resistência (1)

Neste mês de novembro, diversas cidades e estados de nosso país celebram, no dia 20, o Dia da Consciência Negra. A data faz memória ao falecimento de Zumbi dos Palmares, o último líder do Quilombo dos Palmares (maior quilombo do Brasil Colônia), no ano de 1695.
 
Entre os séculos XVII e XVIII, o Brasil vivia o auge do período da escravidão, pois europeus colonizadores, que habitavam nosso país, faziam uso da mão de obra de negros, que, trazidos de suas colônias na África para as nossas terras, eram transformados em escravos. Eles eram vistos como mercadorias, ou mesmo como animais; eram avaliados fisicamente: os escravos com dentes bons, canelas finas, quadris estreitos e calcanhares altos tinham preço mais elevado; era uma avaliação eminentemente racista. Vieram da África para o Brasil nos porões dos navios negreiros. Amontoados, em condições desumanas. No começo, muitos morriam antes de chegar ao Brasil, e os corpos eram lançados ao mar. 
 
 
Os negros que conseguiam fugir se refugiavam com outros em igual situação em locais bem escondidos e fortificados no meio das matas. Esses locais eram conhecidos como quilombos. Nessas comunidades, eles viviam de acordo com sua cultura africana, plantando e produzindo. Na época colonial, o Brasil chegou a ter centenas dessas comunidades espalhadas, principalmente, pelos atuais estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas. Eram entendidos pelo Conselho Ultramarino do governo português em 1740 como todo “agrupamento de negros fugidos, que passasse de cinco, ainda que não tivesse ranchos levantados em parte despovoada nem se achassem pilões neles”. A definição da Associação Brasileira de Antropologia de 1989 para esse agrupamento é: “toda comunidade negra rural que agrupe descendentes de escravos, vivendo de cultura de subsistência e onde as manifestações culturais têm forte vínculo com o passado”.
 
 
Dívida histórica
 
As comunidades quilombolas são grupos étnicos – predominantemente constituídos pela população negra rural ou urbana –, que se autodefinem a partir das relações com a terra, do parentesco, do território, da ancestralidade, das tradições e das práticas culturais próprias. Estima-se que em todo o país existam mais de três mil comunidades quilombolas.
 
Passados mais de 300 anos da morte de Zumbi dos Palmares, notamos que nosso país tem uma enorme dívida histórica com o povo Quilombola, que, mesmo após 129 anos da assinatura da Lei Áurea, ainda sofre preconceito e luta resistentemente em busca de reconhecimento do espaço a que tem direito.
 
 
 
Vamos conhecer, nesta reportagem, três cidades brasileiras com comunidades quilombolas: Bom de Jesus da Lapa (Bahia), Eldorado (Vale do Ribeira-SP) e São Bento do Sapucaí (Vale do Paraíba-SP), saber como vivem, nos dias atuais, os descendentes de escravos e como estão as áreas utilizadas como quilombos no passado.
 
 
Signis Brasil  
 
Signis é uma associação católica internacional, com reconhecimento Pontifício. Iniciada em 2001 com a convergência das Associações católicas anteriores, relativas à imprensa, cinema e vídeo, rádio, televisão e profissionais da comunicação.
 
 
O nome SIGNIS não é uma sigla, mas constitui-se da palavra Signo que significa sinal e Ignis, fogo. Portanto, move-se como sinal sob a força do Espírito Santo. Esta Associação mundial se organiza por continentes: América do Norte, América Latina e Caribe, Pacífico, Europa, África e Ásia. A Signis tem sede em Bruxelas, conta com membros em 100 países e contatos em tantos outros. Representa a mídia católica em várias organizações e instituições governamentais e não governamentais.
 



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