DATA DE PUBLICAÇÃO: 15/06/2018
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Conversa com meu povo: Dar o melhor de si mesmo

 
O mundo inteiro volta seus olhos para a Copa do Mundo de Futebol, que se realiza nestas próximas semanas na Rússia. Despertam-se de novo os sentimentos de patriotismo, expressos na torcida de cada país pelas respectivas seleções. E nós, brasileiros, certamente estamos nas primeiras filas dos ardorosos torcedores, pois os nossos times de coração cedem agora lugar à uniformidade dos gritos pelas vitórias de nosso selecionado. Permitamo-nos dar uma pausa inteligente nas desesperanças correntes, assim como as eventuais e importantes críticas ao modo com o qual é conduzido o esporte, as crises e malversações existentes em seu âmbito, para deixar falar o coração e torcer com alegria pelo nosso país. Temos direito de respirar um pouco, no meio de tantas notícias ruins e pesadas dos últimos tempos.
 
Justamente neste mês de junho, o Dicastério para os Leigos, a Vida e a Família publicou um documento com o feliz título “Dar o melhor de si mesmo”, a respeito das práticas esportivas e da visão cristã do esporte. “Dar o  melhor de si mesmo é um tema fundamental no esporte, já que os atletas se esforçam individual e coletivamente para alcançar seus objetivos nos jogos. Quando uma pessoa dá o melhor de si mesma, experimenta a alegria do dever cumprido. Todos desejaríamos dizer um dia, como São Paulo: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé’” (2 Tm 4,7). Assim começa o texto do Documento da Santa Sé, do qual respigamos alguns ensinamentos a respeito do sentido do esporte para o ser humano, a fim de iluminar e valorizar sua prática. O propósito do referido documento é oferecer uma visão cristã a respeito do esporte, abrindo o leque para a sua prática, na qual se envolvem pessoas diversas quanto às suas convicções pessoais e prática religiosa.
 
A Igreja tem em alta estima o esporte porque valoriza tudo o que contribui para o desenvolvimento harmônico e integral do ser humano, alma e corpo. Como consequência, ela estimula tudo o que treina, desenvolve e fortifica o corpo humano, em vista de seu amadurecimento. O texto da Santa Sé se reporta a São João Paulo II, que se refere ao esporte como uma ginástica do corpo e do espírito. Para ele, a atividade esportiva, além de destacar as ricas possibilidades físicas, também põe em relevo suas capacidades intelectuais e espirituais, pois o homem e a mulher não são apenas potência física e eficiência muscular, mas têm uma alma e devem mostrar integralmente o que são!
 
Para nós cristãos, a liberdade humana só se conquista com muito esforço, capacidade de escolha e sacrifícios adequados, o que o esporte, em suas várias modalidades, proporciona, uma redescoberta altamente recomendada. E é bom lembrar que também para o Reino de Deus só se pode entrar passando pela “porta estreita” (Cf. Mt 7,13-14). O esporte e o treinamento, com os esforços constantes e os desafios que se apresentam, a superação de dificuldades e lesões físicas, a exigência da perseverança e do autocontrole, a observância das regras de cada esporte, tudo aponta para valores correspondentes à vida cristã!
A Igreja considera que a prática do esporte ajuda o ser humano a crescer, porque se sente capaz de criar um ambiente que combina liberdade e responsabilidade, criatividade e respeito às regras, entretenimento e seriedade e jogo limpo, tudo isso alcançado através da colaboração, acompanhamento e desenvolvimento de talentos individuais. 
 
A atividade esportiva deve ser ocasião para praticar as virtudes humanas e cristãs de solidariedade, lealdade, bom comportamento e respeito aos outros, a serem vistos como competidores e não como adversários ou rivais. Só assim poderão buscar metas mais altas, além da vitória, buscando o desenvolvimento da pessoa num grupo de companheiros de equipe e competidores. Infelizmente, em nossos dias há muitas manifestações de individualismo no esporte, enquanto pertencer a uma equipe exige a superação de toda forma de egoísmo e isolamento, para ajudar-se mutuamente, competir com estima recíproca e crescer na fraternidade.
 
Mais ainda, no esporte faz falta um programa estruturado e bem pensado de exercícios, que exigem certo nível de dificuldade, negação de si mesmo, humildade e espírito de sacrifício e capacidade para enfrentar as eventuais derrotas. Bem entendida, sua prática é uma escola de humanidade! Os encontros com o sacrifício no esporte podem ajudar na formação do caráter, desenvolvendo as virtudes da valentia e da humildade, da perseverança e da fortaleza. E depois, as exigências mentais e físicas da prática esportiva podem ajudar a fortalecer o espírito e amadurecer a consciência pessoal de cada um. Sacrifício é um termo comum no esporte, e a Igreja também utiliza esta palavra, pois sabe que devemos aceitar os sacrifícios pequenos ou grandes para fazer acontecer o Reino de Deus na terra e no mundo que virá. A esta luz, é mais fácil entender o que São Paulo tinha em mente quando recomendou: “Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado quando fizeste a tua bela profissão de fé diante de muitas testemunhas” (1Tm  6, 12).
 
Valha para a batalha de nossa vida a recomendação a dar o melhor de nós mesmos, a fim de que também nós ofereçamos a necessária contribuição para um mundo mais justo e fraterno, sabendo que a nossa porção é justamente a fidelidade ao Evangelho, do qual nosso mundo tem sede e fome.
 
 
 



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