DATA DE PUBLICAÇÃO: 27/12/2018
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De Belém de Judá a Belém do Pará

Foto: Divulgação
 
Informações da Arquidiocese de Belém - O ano de 2019 será especial na Arquidiocese de Belém. O novo ano impulsionará nesta Igreja particular uma extensa programação comemorativa aos 300 anos de criação da Diocese de Belém do Pará. Nesta página, uma dissertação das origens da diocese, sob considerações de Monsenhor Raimundo Possidônio, Vigário Geral da Arquidiocese de Belém e historiador, e do Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa.
 
Chegamos às celebrações do Natal do Senhor, momento importante para nós, católicos. A chegada do Menino Jesus, que nasceu na pequena cidade de Belém de Judá, discreta até o seu nascimento, mas hoje é uma das mais importantes de Jerusalém, onde todos querem passar para conhecer o berço do Menino Jesus salvador.
 
"Herodes reuniu todos os sumos sacerdotes e os escribas do povo, para perguntar-lhes onde o Cristo deveria nascer. Responderam: ‘Em Belém da Judéia, pois assim escreveu o profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um príncipe que será o pastor do meu povo, Israel’” (Mt 2, 4-6).
 
Nossa Igreja também nasceu em uma pequena vila chamada Santa Maria de Belém, hoje a capital do Estado e nossa sede da Província Eclesiástica, referência na Igreja da Amazônia. “Vivemos em Belém, não de Judá, mas do Pará, cidade nascida em torno do presépio; cidade que deve sempre reportar-se às suas mais legítimas origens cristãs, para ser digna do nome que recebeu e a ele ser fiel, abrindo espaço para aquele que aqui veio para ficar”, comenta Dom  Alberto.
 
Nós viemos pra ficar!  São quase trezentos anos como diocese contribuindo com a capital paraense. Nossa história começa com a fundação da cidade que dá início também à evangelização na Amazônia. Depois veio a criação da diocese, nascida aqui na pequena e desconhecida Belém do Pará, a grande e importante igreja de Belém, responsável por toda Amazônia legal.
 
Monsenhor Raimundo conta que quando começou a evangelização aqui na Amazônia há mais de 400 anos, nossa Igreja era sujeita ao Maranhão, assim como praticamente todo o norte do Brasil; então quando a diocese foi criada, territorialmente, era compreendia no que hoje é a Amazônia legal, e por isso era grande a dificuldade para o bispo desenvolver seu trabalho pastoral.
 
“Imagina o bispo daquela época percorrer todos esses caminhos de rios para fazer as visitas pastorais. Quando um bispo ia fazer visita demorava mais de ano até visitar todos os lugares. Teve uma visita ao alto Rio Regro que foram dias e dias subindo rios para visitar as aldeias, paróquias, o processo durou cerca de dois anos. Uma realidade difícil e gigantesca, que hoje foi diminuindo nesses trezentos anos da diocese, que compreende um território relativamente pequeno no ponto de vista geográfico, embora enorme no ponto de vista populacional, são quase dois milhões e meio de pessoas que devem ser atingidas pelo território. Mas nesses trezentos anos, de fato, quando olhamos a Amazônia geograficamente, percebemos que os trabalhos realmente eram de gigantes, de heróis e de santos também”, conclui Monsenhor.
 
Ele relata que por muitos anos essa era a realidade dos leigos, missionários e religiosos que tinham a missão de levar o evangelho ao seu povo, de 1719 até 1892 era só Belém, a partir do início do século 20 a Igreja de Belém se tornou arquidiocese, referência de circunscrição eclesiástica da Amazônia, que também abraçava o Piauí e o Maranhão.
 
“O Maranhão continuou sendo diocese até 1921, mas o então bispo da Arquidiocese de Belém passou a ser “Bispo Primaz” de toda essa região amazônica, incluindo também Maranhão e o Piauí. Naquela época isso tinha um significado, um valor, mas hoje foi relativizado, porém, a história mostra a importância desta diocese (de Belém) que foi o portal de evangelização para toda a Amazônia durante muitos anos”, explica Monsenhor. Por ser a quinta diocese no Brasil, a Igreja de Belém foi responsável pelo surgimento de muitas outras prelazias, dioceses e arquidiocese, não por acaso hoje é sede da Província Eclesiástica, sendo a maior do Brasil, com 14 circunscrições em dois Estados: Pará e o Amapá.
 
A Diocese de Belém do Pará foi precursora da criação das Arquidioceses de São Luís, Manaus, Amapá, Porto Velho; Dioceses de Abaetetuba, Bragança do Pará, Cametá, Castanhal, Macapá, Marabá, Óbidos, Ponta de Pedras, Santarém, Santíssima Conceição do Araguaia; e as Prelazias do Marajó, Itaituba e Prelazia do Xingu.
 
Em seus 300 anos como diocese e 112 anos de arquidiocese, a história mostra a grande importância de nossa Província Eclesiástica para Igreja do Brasil, pois nossa Igreja de Belém do Pará se tornou a precursora do catolicismos e do cristianismo na Amazônia.



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