DATA DE PUBLICAÇÃO: 25/04/2019
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Padre Moisés de Matos profere Sermão das Sete Palavras

Foto: Luiz Estumano.
 

Uma tradição mantida há 140 anos. Assim é o Sermão das Sete Palavras que medita sobre as últimas palavras proferidas por Jesus Cristo, quando suspenso no madeiro da Cruz, em suas “Três Horas da Agonia”. Realizado na Sexta-feira da Paixão, 19 de abril, na capela do Colégio Santo Antônio, o pregador escolhido para este ano foi Padre Moisés do Socorro Lima de Matos, pároco na Paróquia de Santa Maria Goretti, no Guamá.


O primeiro Sermão das Sete Palavras realizado na Arquidiocese de Belém ocorreu em 10 de abril de 1879, organizado pelas Irmãs de Santa Dorotéia, fundadas por Paula Frassineti, popularmente conhecidas como Irmãs Dorotéias. Na época, as religiosas entoavam cantos em italiano, com letras alusivas a todas as palavras meditadas. Com melodias suaves e dolentes, os cantos convidavam ao recolhimento e à oração.


O Sermão é um ato composto por um conjunto de sete frases proferidas por Cristo. Cada meditação é intercalada por uma estrofe do cântico “Le Sette Ultime Parole di Nostro Signore Sulla Croce”, de Giueseppe Saverio Raffaele Mercadante, que foi entoado pelo Coral Santa Cecília, sob a regência do maestro Eduardo Mário da Silva Nascimento.


O Arcebispo Metropolitano, Dom Alberto Taveira Corrêa, subiu ao púlpito para abrir solenemente o ato. Inicialmente agradeceu a tradição mantida por muitos anos pelas irmãs dorotéias e a disposição do sacerdote escolhido para proferir o sermão no ano em que a Igreja de Belém celebra seus 300 anos de criação.


“Irmãos e irmãs, responsabilidade de quem fala e de quem ouve, de quem reza, responsabilidade de todos nós que queremos ouvir e viver. Deus nos conduza durante essas três horas e o Espírito Santo abra nosso coração, assim seja”.


Para muitos presentes o Sermão das Sete Palavras é uma oportunidade única, dentro da semana santa, para meditar e absorver os ensinamentos deixados por Cristo na cruz. Maria Amélia da Silva, 65 anos, que conheceu a pregação através da irmã, busca todo ano se fazer presente na capela do Colégio Santo Antônio: “Toda Sexta- Feira da Semana Santa estou aqui. Sempre buscando meditar a caminhada de Jesus na Cruz e refletir suas palavras em minha vida. Devemos observar tudo o que ele passou para  trazer para nossa vida. O amor que Ele fez por nós, pela nossa  salvação”.  


Natural de Belém, Padre Moisés foi ordenado em 03 de julho de 2016. No mesmo ano, assumiu a função de vigário no Santuário de Fátima. Em 8 de janeiro de 2017 foi empossado como pároco da Paróquia Santa Maria Goretti, estando à frente até hoje. Ao iniciar a meditação, o pároco agradeceu o convite do Arcebispo, recordando que era o segundo mais jovem a proferir o sermão, sendo o primeiro o Cônego Vladian Alves.

 

Sete Palavras. 

Padre Moisés iniciou sua meditação sobre a relativização da dor, pontuando que a sociedade atual prefere negar o sofrimento ao passo que Jesus em sua Paixão tem atitude totalmente oposta: “Nosso Senhor, ao contrário, não nega a existência do sofrimento ou tenta fugir-lhe, encara-o de frente, demonstrando que o sofrimento é parte intrínseca e inseparável da vida dos homens que nem o próprio Deus uma vez que se fez homem o quis evitar.”


Na primeira palavra (Lc 23,34), em que o pedido de perdão do crucificado para seus perseguidores, Padre Moisés afirma que este perdão atinge os bons e os maus, sendo um convite atual para a avaliação da vida cristã. Na segunda palavra (Lc 23, 43), ao lembrar o bom ladrão que expressa as vontades da humanidade pela santidade e que, mesmo no último instante, a atitude de Jesus personifica a misericórdia de Deus que atinge a todos:


“O bom ladrão torna-se para nós um símbolo de esperança, pois a misericórdia de Deus pode nos alcançar no limiar de nossas aflições terrenas, no entanto é preciso uma aceitação radical por parte da gente, como fez o condenado. É preciso converter-se a Cristo, tornar-se cristão autêntico, significa receber um coração de carne, um coração sensível ao sofrimento dos outros, como fez Jesus a esse homem”.


Na terceira palavra, (Jo 19, 26-27) o sacerdote comentou a relação adotiva do discípulo amado para com Maria que representa a Igreja.  Na quinta palavra (Jo 19, 28), Padre Moisés observa que as sete palavras de Cristo na Cruz seguem o sentido inverso das petições presentes na oração do Pai Nosso. O gemido de sede dito por Jesus e a recusa do vinagre pelo mesmo, segundo ele, demonstram a vontade do Salvador de viver o sofrimento de forma plena e consciente.  


Por fim, na última palavra: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46), Padre Moisés considera que Jesus foi verdadeiramente até o fim, realizou a totalidade do amor: “Por isso, não foi para brincar que Deus nos amou. Ele revestiu-se dessa humanidade semelhante à nossa para ser um de nós e viver no meio de nós a nossa, de modo a ter além, da sua atividade eterna de Deus, uma atividade verdadeiramente humana.”

 



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