DATA DE PUBLICAÇÃO: 26/12/2019
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Conversa com meu povo: Em Belém, vimos O Menino e glorificamos a Deus

Foto: Luiz Estumano.
 
 
Estamos para concluir o jubileu dos trezentos anos de criação da Diocese, hoje Arquidiocese de Belém. Como os pastores da noite santa, somos de Belém e fomos a Belém para ver o que aconteceu. Chegamos ao final do ano jubilar e damos graças a Deus. Desejamos fazer a mesma experiência dos pastores dos arredores de Belém de Judá e de Nossa Senhora, que chamamos Maria de Nazaré, Nossa Senhora da Graça e Santa Maria de Belém. De fato, “Quando os anjos se afastaram deles, para o céu, os pastores disseram uns aos outros: ‘Vamos a Belém, para ver o que aconteceu, segundo o Senhor nos comunicou’. Foram, pois, às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. Quando o viram, contaram as palavras que lhes tinham sido ditas a respeito do menino. Todos os que ouviram os pastores ficavam admirados com aquilo que contavam. Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração. Os pastores retiraram-se, louvando e glorificando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, de acordo com o que lhes tinha sido dito” (Lc 2,15-20).
 
Durante este ano jubilar, fizemos memória de todas as pessoas e realidades que nos marcaram nas sucessivas gerações de fiéis e pastores que serviram a esta Igreja, iluminados por tudo o que vimos e ouvimos, de acordo com o que nos foi dito em trezentos anos. Sabemos de nossas dificuldades e limites, mas constatamos que somos uma Igreja madura em sua caminhada pastoral, tendo conseguido estender o abraço do Evangelho em todas as direções. Trazemos no coração a gratidão por termos sido a matriz do crescimento de Igreja para toda a Amazônia, o que não nos faz indevidamente orgulhosos, mas responsáveis, porque o Senhor escolheu Belém para que as “palavras ditas a respeito do Menino” pudessem chegar a tantos recantos. Somos gratos porque muito sangue, suor e lágrimas correram fecundamente de tantos irmãos e irmãs que acreditaram e professaram corajosamente a sua fé, nesta terra abençoada. “É obrigatório valorizar a sua história para construir um futuro que tenha bases sólidas, que tenha raízes e possa nos levar a um futuro fecundo. A memória não é estática, é dinâmica. Por sua natureza implica o movimento” (Papa Francisco, Encontro de final de ano com a Cúria Romana, 20.12.2019). Neste ano jubilar, realizamos as visitas pastorais missionárias, indo às Regiões Pastorais e às Paróquias, envolvendo todo o Povo de Deus. Este foi um ano fecundo para as vocações diaconais e sacerdotais e para a vida consagrada, especialmente nas Comunidades Novas. Agradecemos a Deus porque o Espírito Santo nos conduziu e inspirou tantos passos dados para a Evangelização. Se o Evangelho aqui aportou por primeiro e daqui se espalhou, mais ainda ele pode transformar nossas vidas e nossa sociedade, pois só o Senhor tem Palavras de Vida Eterna capazes de mudar o mundo de hoje. No coração de Deus, entregamos todas as pessoas, conhecidas ou não, que ajudaram a anunciar a Boa Nova.
 
Tomamos posse de nossa Identidade como Igreja de Belém, assumindo, com as luzes vindas do Sínodo especial para a Pan-Amazônia, o que nos cabe agora. “Cristo aponta para a Amazônia”, disse São Paulo VI justamente numa Mensagem aos peregrinos de Belém do Pará (10.10.1971). Temos o rosto amazônico e uma das mais desafiadoras características desta região, em nossos dias, a realidade da grande cidade. Somos uma metrópole com cinco municípios, população crescente, novos bairros, condomínios, ocupações, e surgem aglomerados altamente desafiadores à nossa criatividade. Cabe-nos visitar, como os pastores de Belém, todos os recantos, conhecendo pessoas e situações, para ver o que Deus já está realizando, pois o Espírito Santo vai na nossa frente, plantando as Sementes do Verbo de Deus. Somos uma Igreja com grande diversidade de Paróquias e riqueza de vocações, ministérios, Serviços, Comunidades e Movimentos. Queremos valorizar tal diversidade, fazendo que ela se constitua em unidade e fraternidade! Estamos redescobrindo e construindo nosso rosto de Igreja diante dos novos desafios.
 
Da memória agradecida e de nossa Identidade, configura-se nossa Missão, e em vista dela foi convocado o Sínodo Arquidiocesano de Belém, com o tema “Belém, uma Igreja de Portas abertas!” e o lema “A cidade se encheu de alegria” (At 8, 8). Queremos mudar para melhor! Mudamos, disse o Papa à Cúria Romana, para vencer rigidez e medos e anunciar melhor o Evangelho a um mundo descristianizado. A Igreja vive o crescimento a partir da perspectiva de Deus e a história da Bíblia é toda um caminho marcado por começos e recomeços. Por isso que um dos novos Santos, o cardeal Newman, quando falava de “mudança” na realidade queria dizer conversão integral: conversão pastoral, conversão cultural, conversão ecológica e conversão sinodal, justamente o passo que demos, ao convocar o Sínodo Arquidiocesano, antes mesmo da Assembleia Especial do Sínodo para a Amazônia.
 
Para nós, o desafio maior é o da grande cidade. Assim se expressaram os Bispos no Sínodo (Cf. Documento final do Sínodo para a Pan-Amazônia, 34): A forte tendência da humanidade de se concentrar nas cidades também ocorre na Amazônia. O crescimento acelerado das metrópoles amazônicas é acompanhado pela geração de periferias urbanas. Ao mesmo tempo, estilos de vida, formas de convivência, linguagens e valores moldados pelas metrópoles estão sendo transmitidos e cada vez mais implantados tanto nas comunidades indígenas quanto no resto do mundo rural. A família na cidade é um lugar de síntese entre a cultura tradicional e a moderna. No entanto, as famílias sofrem pela pobreza, habitação precária, falta de trabalho, aumento do consumo de drogas e álcool, discriminação e suicídio infantil. As rápidas mudanças de hoje afetam a família amazônica. A cidade é uma explosão de vida, porque “Deus vive na cidade” (Documento de Aparecida 514). Nela há ansiedades e buscas de sentido da vida, conflitos, mas também solidariedade, fraternidade, desejo de bondade, verdade e justiça” (Cf. Evangelii Gaudium 71-75). Evangelizar a cidade significa “chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação” (Evangelii Nuntiandi 19).
 
São horizontes que se abrem, para continuarmos a evangelizar, e esta é a razão de ser da Igreja! Feliz e santo ano novo de 2020!
 



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