DATA DE PUBLICAÇÃO: 20/02/2020
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Coletiva sobre a Exortação Apostólica “Querida Amazônia”

Foto: Luiz Estumano.
 
Na quarta-feira, 12, na Sala de Imprensa da Santa Sé, Vaticano, em Roma, ocorreu a apresentação da Exortação Apostólica “Querida Amazônia” do Papa Francisco, resultado do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia, ocorrido em outubro do ano passado. Na sexta-feira, 14, no auditório da Cúria Metropolitana, a Igreja de Belém reuniu a imprensa para apresentar suas considerações referentes ao documento oficial e os desafios pastorais que se apresentam na Amazônia.
 
Estiveram presentes Dom Alberto Taveira Corrêa, Arcebispo Metropolitano e membro do Conselho Pós-Sinodal, Monsenhor Raimundo Possidônio Carrera da Mata, Vigário Geral da Arquidiocese e membro do secretariado especial para estudos do Sínodo, e Cônego Sílvio Trindade, novo Vigário Episcopal para Pastoral.
 
A coletiva iniciou-se com Dom Alberto apresentando toda trajetória de produção da exortação e do compromisso firmado pelo Papa Francisco pós conclusão da assembleia dos bispos: “Após o Sínodo o Papa Francisco faz uma exortação apostólica, isto é, uma carta dirigida à Igreja e ao Mundo com o assunto que foi tratado no Sínodo. O que o Papa quer é que o mundo se volte para a Amazônia. Ele começa de uma forma tão bonita ‘Querida Amazônia’. É uma expressão talvez não usual em documentos oficiais, mas ele tem essa graça especial de inverter tantas coisas e fazer de uma forma tão feliz.”
 
Datada de 2 de fevereiro, a Exortação Apostólica após a entrega do texto em 27 de dezembro, passou por um processo de revisão e tradução para diversas línguas, entre elas, o Português. Segundo Dom Alberto, com a exortação, o Papa quer alcançar “as raízes da Amazônia”: 
 
“A grande perspectiva é: a Amazônia vista até chegar lá naqueles que são as raízes da Amazônia, pensando muito nos povos indígenas e nos mais pobres. Confirma a escolha da Igreja de servir os últimos. O Papa não exclui ninguém. Não tem nenhuma expressão de desprezo, de desvalorização, de exclusão de qualquer natureza, o que para mim é muito significativo também”. 
 
Depois, o Arcebispo teceu comentários sobre a segunda parte do documento que destaca quatro sonhos: eclesial, social, ecológico e cultural: “mais de 50% do documento refere-se ao sonho eclesial que ele propõe para a Igreja viva na Amazônia”. Por fim, Dom Alberto destacou a conclusão do documento que traz uma oração à Mãe da Amazônia.
 
“A Amazônia é um poliedro”
 
Numa segunda etapa, Monsenhor Cid comentou os principais pontos da Exortação Apostólica: “O papa discorre o seu tratado a partir dos sonhos (social, ecológico, eclesial e social), talvez por uma inspiração de sua devoção: São José dormindo. Esses sonhos inspiram a lutar pelos direitos dos mais pobres e dos povos nativos. E o sonho não é algo irrealizável, pelo contrário, ele vai às profundezas da realidade humana e aqui na Amazônia nós temos expressões belíssimas dessa realidade”. O Vigário Geral reforça a expressão utilizada pelo Papa Francisco de que a Amazônia é um poliedro, ou seja, possui várias faces, pontuando a diversidade existente e a necessidade de um diálogo inter-religioso: “Precisamos aprender a lidar com essa realidade diversa. Hoje a Igreja procura um diálogo com a realidade cultural e religiosa que existe, valorizando a sabedoria, a confiança mútua. Acredito que através de muitas dioceses, missionários, paróquias, isso está sendo alcançado, de uma forma muito capilar, muito próximo da realidade de nossos povos". 
 
No que diz respeito ao sonho ecológico, a encíclica do Papa Francisco “Laudato Si” sobre o cuidado da casa comum, também apresenta-se na exortação, de forma transversal, como afirma Monsenhor Cid: “Eu percebi mais de dez citações da ‘Laudato Si’ que é, na verdade, uma ‘Laudato Si’ amazônica, principalmente no sonho ecológico. Volta sempre a mencionar que tudo está interligado. Isso é uma continuidade do pensamento dele.” 
 
 



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