DATA DE PUBLICAÇÃO: 20/08/2020
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Mundo juvenil e a fé cristã: Ideologias defensoras do aborto e seus argumentos

Foto: Divulgação
 
Introdução
 
Nos últimos dias a questão aborto voltou a ocupar espaço na mídia nacional. Para os autênticos católicos, discípulos de Jesus Cristo, o Senhor da Vida, estamos diante de mais uma ocasião para o aprofundamento dessa delicada questão.
 
Muitas são as matrizes ideológicas sobre as quais se apoiam determinados argumentos a favor do aborto. As ideologias têm argumentações sutis; seus argumentos, em geral, fazem referência aos autênticos anseios da pessoa humana e são usados estrategicamente para causar impacto, comoção ou perplexidade nos interlocutores. 
 
Todavia, são frágeis, falaciosos e reducionistas carecendo de uma visão ampla do ser humano. Em geral o ponto de partida da argumentação “pró-aborto” parece comovente, tentadora, admissível, mas é profundamente sem sustentabilidade ética. É preciso atenção! Façamos um breve passeio por esse universo ideológico que tenta defender o aborto. 
 
1 IDEOLOGIA PSICOLOGISTA: apela para o bem-estar da mulher, seus sentimentos, seu sofrimento por ter uma gravidez indesejada. Mas não somos somente sentimentos, mas convicções e, por outro lado, na vida sempre enfrentamos frustrações, sofrimentos, crises...O aborto gera um sofrimento mais profundo e indelével na consciência de uma mulher. Os confessores são testemunhas desse drama!
 
2 IDEOLOGIA ECONOMICISTA: argumenta a insustentabilidade financeira, não ter condições econômicas, conforto, segurança para criar, educar a criança; então propõe evitar o nascimento para não colocar mais um sofredor neste mundo. Todavia, a vida tem muitas dimensões, não só a econômica. Promover a morte de um feto em nome da pobreza é negação da dimensão social e afetiva da família e da sociedade. É negar a solidariedade e a força do amor!
 
3 IDEOLOGIA LIBERALISTA: essa ideologia afirma que tudo aquilo que se passa com a mulher, quem deve decidir é ela mesma; é uma questão de liberdade; a mulher é gestora do seu corpo e suas decisões devem ser respeitadas. Mas o feto é uma nova vida, não é parte integrante do corpo da mulher; o feto tem dinamismo próprio que não depende da vontade da mãe, é um novo ser, um novo sujeito, outra vida com sua dignidade e identidade própria.
 
4 IDEOLOGIA UTILITARISTA: essa ideologia apela para a questão da qualidade da vida, da saúde do filho; sem qualidade de vida não vale a pena viver; é bom evitar o sofrimento dele. Em geral apresentam esse argumento no caso da descoberta de deficiências do feto. Contudo muito superior à qualidade é a questão da sacralidade da vida. A vida vale por aquilo que é e não pelo fato da qualidade física! 
 
5 IDEOLOGIA BIOLOGISTA: afirmam que o feto é puro “material biológico” sem forma, sem sensibilidade, sem subjetividade, sem sentimentos. Na verdade, muito mais que “material biológico” é o ser humano concentrado com todas as suas potencialidades a serem desenvolvidas. O tempo declara que não é puro objeto biológico! Se fosse, não teria o dinamismo que tem...Todos nós passamos por esse estágio de desenvolvimento. 
 
6 IDEOLOGIA SANITARISTA: apela para a questão da saúde pública. O aborto deve entrar na pauta dos investimentos de saúde pública e ser tratado como uma pura questão de saúde pública. Contudo, a saúde pública não deve promover a morte, mas a vida. A verdadeira política pública na área da saúde se fundamenta no princípio da beneficência, da acolhida, tutela, defesa e promoção integral da vida humana. A preocupação sanitária que gera a morte é contraditória por si mesma. 
 
7 IDEOLOGIA SUBJETIVISTA: essa ideologia afirma que o feto ainda não é pessoa, que não tem vontade, não tem consciência e, por isso, não pode ser considerado como sujeito de direitos; tudo depende da vontade da mãe. Para ser sujeito é preciso senso de autonomia. Tal argumento é fino e falso!  Também os adultos nem sempre, vivem em total autonomia e consciência, nem por isso, perdem o direito de viver! O feto é pessoa, mas ainda sem o exercício da sua subjetividade e autonomia, por isso, deve ser respeitado e defendido. Onde impera a lei dos mais fortes há sempre crueldade e crimes hediondos. Os mais frágeis são sempre massacrados.   
 
8 IDEOLOGIA JURIDICISTA: fazendo apelo à legalidade, delega-se às autoridades judiciais e aos tribunais as decisões de cunho ético e moral. Isso é falso! Deve ser o contrário, é justamente o parâmetro ético que deve reger o discernimento e as decisões de qualquer autoridade. Ninguém tem poder para delegar a outro sujeito, o direito de matar. Na perspectiva juridicista os juízes, ou tribunais, são vistos como senhores do bem e do mal, senhores da verdade e da justiça, também senhores dos bens éticos e morais da sociedade; isso nega a consciência das pessoas e os bens éticos universais. É idolatria!  
 
9 IDEOLOGIA DEMOCRACISTA: a ideologia democracista delega à sociedade o direito de decidir sobre aquilo que é mais conveniente; questões “polêmicas” como o aborto, pena de morte, etc. devem ser objeto de decisão da maioria; o ideal é um “referendum”. O certo é produto da maioria. Acusam que a defesa da vida é um argumento religioso. Na verdade a vida é um bem ético universal e por isso não pode ser disputado. Deve ser respeitado. Os direitos naturais não nos são conferidos por um grupo de pessoas! Temos a mesma natureza e dignidade!
 
10 IDEOLOGIA HEDONISTA CORPOREISTA: o aborto é considerado como um bem material em função dos prazeres, do bem-viver; para isso é imprescindível a manutenção da boa forma física; a gravidez é um obstáculo para a estética (beleza), para a liberdade, para o lazer e os prazeres da vida. A maternidade exige sacrifício. Por isso, é preciso evitá-la. Mas a vida humana se tornaria insustentável se cada um buscasse somente o próprio prazer e bem-estar. Vivemos graças ao sacrifício dos outros! Somos uma totalidade unificada, não somos puro corpo, somos pessoa, somos uma unidade integrada. O corpo não está somente para o prazer, mas também o trabalho! A vida não é só prazer. Fora do corpo não existimos neste mundo.
 
PARA A REFLEXÃO PESSOAL:
1 Você acha importante refletirmos sobre as argumentações pró-aborto? Por quê?
 
2 Qual dessas ideologias mais lhe chamou a atenção?
 
Há outras ideologias defensoras do aborto? O que elas argumentam e como você contra-argumenta?
 



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